

Em uma sociedade que inventa seus próprios deuses para a servirem parece loucura falar sobre sacrifício. Acontece que, segundo Êxodo 20:24, o altar de sacrifício era o local em que Deus marcava para se encontrar com o homem.
Conforme esse versículo, o sacrifício é um local de encontro com Deus, em que o homem apresenta algo para celebrar a memória do nome do Senhor e o Altíssimo responde, abençoando-o. Não é um negócio, em que Deus troca bênçãos por oferendas, como ocorria com os ídolos das nações pagãs. Para o povo de Deus, Ele estabeleceu uma troca de presentes, em que ambas as partes entregam voluntariamente o melhor que podem oferecer. O melhor que o ser humano pode oferecer a Deus é seu livre-arbítrio, ou seja, seu desejo de agir segundo suas vontades carnais. O melhor que Deus pode oferecer ao ser humano é voltar Seu favor para nós.
Não há sacrifício se oferecermos a Deus aquilo que queremos. Isso é querer comprar Deus com boas obras ou promessas. Deus estabeleceu alguns padrões para o sacrifício: (1) a primeira e melhor parte deve ser sacrificada ou seria doação das sobras (Êxodo 13:12); (2) o sacrifício não pode ter defeito ou seria descarte do resto (Levítico 22:17-21); (3) é preciso haver morte da carne ou será considerado oferta de gratidão (Levítico 7:11-14).
Geralmente, o que Deus nos pede é aquilo que rouba nossa atenção dEle e que virou uma prioridade em nossa vida, impedindo que O amemos acima de todas as coisas. Para uns, pode ser dinheiro, para outros comida; para um, redes sociais, para outro, um relacionamento. De Abraão, Deus pediu o filho (Gênesis 22:2); de Eliseu, sua carreira de lavrador (1 Reis 19:21).
O que Deus quer ver é a obediência, não o holocausto em si (1 Samuel 15:22). Deus não se agrada de matar nossas vontades, o que Ele quer é provar se nosso coração está voltado para Ele ou para as demais coisas desse mundo. Então, Ele pode colocar Suas vontades em nosso coração, que são boas, agradáveis e perfeitas para nós (Romanos 12:2).
O jovem rico se entristeceu quando Jesus pediu que ele sacrificasse suas riquezas. Sacrificar não é motivo de alegria, mas de luto. No entanto, depois que Deus nos visita com Seu favor, há alegria, pois foi Jesus quem disse “ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Lucas 18:29-30)
Cada vez que sacrificamos algo de que gostamos para o Senhor se torna mais fácil sacrificar da próxima vez, pois vamos perdendo o apego às coisas materiais e estreitando nossa comunhão com Ele. O sacrifício sempre matará nosso egoísmo, que nada mais é do que a idolatria ao nosso ego, mas vivificará em nós um espírito humilde, que é a base para o crescimento da fé e confiança em Deus. Da mesma maneira que o Pai ofereceu a nós Seu Filho unigênito em sacrifício, não há nada que sacrifiquemos a Ele que Ele não seja capaz de ressuscitar!

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