

Se o jejum não é greve de fome, mas uma consagração especial de nosso tempo para buscar ao Senhor, por que precisaríamos parar de comer ao jejuar? Porque, conforme nos mostram as Escrituras, a comida era um símbolo daquilo que afastava o povo do relacionamento com Deus.
No Éden, a desobediência de Adão e Eva aconteceu após eles ansiarem e comerem do fruto da árvore do bem e do mal (Gênesis 3:6). Nessa situação, a comida representou a tentação e o pecado que afastaram o ser humano da presença do Criador.
Gênesis 25:29-34 registra o episódio em que Esaú trocou seu direito de primogenitura por um cozinhado de lentilhas. A fome de Esaú cegou seu entendimento para o engano e ele abriu mão de sua unção dada por Deus por causa da comida.
Após o Senhor libertar o povo de Israel com mão poderosa do Egito, o povo murmurou por sentir falta da comida daquela terra. Eles disseram: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.” (Número 11:5). Por causa da comida, o povo se esqueceu do tempo de opressão, deixou de ser grato a Deus pela liberdade conquistada e ainda desejou retornar à terra de sua aflição.
Insatisfeitos com o maná que Deus providenciou do céu, o povo sentiu falta da carne e do pão do Egito (Êxodo 16:3). O Senhor enviou codornizes que cobriram o arraial, mas, enquanto comiam aquela carne, uma grande praga sobreveio ao povo até que pereceram todos que desejaram a carne dos egípcios (Números 11:31-34). Uma mentalidade escrava e cativa pela carnalidade e pela comida deste mundo impediu que o povo glorificasse a Deus e seu desejo levou-os à morte.
Satanás usou a comida para tentar a Jesus, provocando-o a mandar que pedras se transformassem em pães (Mateus 4:3). Jesus não caiu em sua armadilha e, porque estava em íntima conexão com o Pai, efetuou diversos milagres relacionados à comida, para provar que “não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:4).
Um desses milagres foi a multiplicação de sete pães e alguns peixinhos, que alimentaram uma multidão de quatro mil homens e ainda fizeram sobrar sete cestos (Marcos 8:1-9). Tendo Jesus e os discípulos seguido viagem, descobriram que haviam se esquecido de levar pão no barco. Jesus, então, lhes alertou contra o fermento dos fariseus (Marcos 8:15). Os discípulos se deixaram distrair com os questionamentos dos fariseus, que pediam um sinal do céu, e acabaram abandonando sua porção celestial! Eles enfim compreenderam que a doutrina legalista dos fariseus os afastou dos ensinos de Jesus e bloqueou sua fé, o que resultou na falta do alimento no momento em que mais precisavam.
O motivo pelo qual retiramos a comida ao jejuar é porque ela representa tudo aquilo que nos sustenta e nos impede de depender de Deus, nos tornando autossuficientes. Porém, da mesma forma que a Bíblia relata situações em que a comida separou o povo da comunhão com Deus, também há relatos do Senhor cuidando da provisão de Seus filhos, como quando Elias foi sustentado por corvos na torrente de Querite (1 Reis 17:1-6) e depois por um anjo no deserto (1 Reis 19:5-7). Deus sempre tem um maná reservado para quem confia nEle e O busca intensamente por meio da oração e do jejum!
Um bom jejum a todos que participarão hoje do Yom Kippur e que suas orações sejam respondidas por Deus!

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